Dieta

Redução no consumo de proteína controla obesidade e diabetes

Redução no consumo de proteína controla obesidade e diabetes

Investigadores da USP, Unicamp, Instituto Nacional do Câncer e Universidade de Copenhague seguiram 21 pacientes com síndrome metabólica em dietas restritas a proteínas e a calorias durante 27 dias.

Para pessoas com síndrome metabólica, que têm fatores de risco de diabetes e doenças cardíacas, tais como tensão arterial elevada, açúcar elevado no sangue, excesso de gordura corporal na cintura e colesterol elevado, o estabelecimento de uma dieta adequada faz parte do tratamento. Por conseguinte, investigadores no Brasil e na Dinamarca procuraram uma nova dieta para este grupo e compararam os efeitos de dietas restritas a proteínas e a calorias. O estudo descobriu que “as dietas restritas a proteínas são eficazes no controlo da diabetes e na redução da obesidade”. Além disso, “baixou os níveis de colesterol, controlou a pressão arterial e ajudou na perda de peso com a perda de gordura e manutenção muscular”, explica o Dr Rafael Ferraz Bannitz, biomédico, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), USP.

Neste estudo, 21 participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro submetido a uma dieta restrita a 25% das calorias ideais. O outro grupo manteve a quantidade ideal de calorias, mas reduziu a quantidade de proteína à quantidade mínima recomendada. “O grupo restrito a calorias tinha uma concentração de 20% de proteínas, 50% de carboidratos e 30% de gordura. O grupo restrito a proteínas tinha 10% de proteínas, 60% de carboidratos e 30% de gorduras”, explica Fellers-Bunnitz.

Os sujeitos eram homens e mulheres de 25-60 anos com um IMC de obesidade moderada a grave; o IMC é calculado dividindo o peso pelo quadrado da altura. Todos tinham diabetes tipo 2, hipertensão e níveis elevados de gordura no sangue. Foram avaliados por uma equipa do HCRP (Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto) da USP quanto à pressão arterial, peso corporal, composição corporal, distribuição de gordura e gasto de energia basal, bem como alterações na expressão genética na microbiota intestinal (a comunidade microbiana que vive no intestino) e no tecido adiposo. As análises bioquímicas e moleculares foram realizadas durante 27 dias.

“A natureza isocalórica da dieta restrita em proteínas torna esta abordagem nutricional mais atrativa e menos drástica de aplicar em ambulatório e no domicílio dos pacientes. Além disso, poderia ser usado como terapia para pessoas com diabetes e síndrome metabólico com obesidade”, observou o cientista biomédico.

O estudo foi coordenado pela Professora Maria Cristina Foss de Freitas, Supervisora do Programa de Pós-Graduação em Medicina Clínica da FMRP, e foi apoiado financeiramente pela Fundação de Apoio à Investigação do Estado de São Paulo (Fapesp). Os autores incluem investigadores da FMRP, da Universidade Estatal de Campinas (Unicamp), do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da Universidade de Copenhague, Dinamarca.

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